O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, será feriado em 225, de um total de 5.561 municípios do país, segundo levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A data, que será celebrada em centenas de eventos pelo país, lembra o dia em que foi assassinado, em 1695, o líder Zumbi, do Quilombo dos Palmares, um dos principais símbolos da resistência negra à escravidão.
Em 1971, ativistas do Grupo Palmares, do Rio Grande do Sul, chegaram à conclusão de que 20 de novembro tinha sido a data de execução de Zumbi e estabeleceram-na como Dia Da Consciência Negra. Sete anos depois, o Movimento Negro Unificado incorporou a data como celebração nacional. Em
O 20 de novembro foi instituído como data de referência para o movimento em contraposição ao 13 de maio, quando foi decretada a abolição da escravatura, a chamada Lei Áurea, pela princesa Isabel, em 1888. O 13 de maio expressa, então, a celebração da generosidade de uma branca em relação aos negros, em vez de enfatizar a própria luta dos negros por sua libertação.
A cada ano que passa, essa data tem sido reconhecida e relembrada com mais intensidade; e não apenas no dia 20, mas durante todo mês de novembro acontecem,
O fato é que ninguém pode exercer plenamente o seu papel cidadão se não sabe quem é e de onde veio. A história da população negra brasileira precisa ser resgatada, debatida e recontada novamente, pois a história que aprendemos é carregada de discriminação e preconceitos. Não se fala de forma positiva e construtiva sobre a cultura, a religião e as diversas formas de resistência deste povo que sofreu e ainda sofre as conseqüências da mais longa e cruel escravidão da história da humanidade.
O Brasil foi o último País do mundo a abolir a escravidão. Após a abolição, os negros foram abandonados sem trabalho, condições de moradia, saúde, educação... E hoje, no Brasil, entre os 1% mais ricos, 88% são brancos, enquanto os negros representam 77% dos 10% mais pobres. Somente nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, são 5 milhões os negros abaixo da linha de pobreza.
O passado e o presente têm sido diferentes para negros e brancos. Se há divergências, essa população precisa ser tratada de maneira diferenciada para que lhe sejam garantidos direitos iguais; se assim não for, a injustiça será eternizada e as diferenças de acesso aos direitos nunca se acabarão. Para isso, as Políticas de Ações Afirmativas estão aí, tão urgentes e necessárias, visando a ações compensatórias ao diferencial competitivo que vem sendo imposto à enorme população negra brasileira.
Respeitar as diferenças, sejam elas religiosas, culturais, étnicas ou raciais, é fundamental para a construção de uma sociedade justa e igualitária. A diversidade étnico-racial é uma das grandes riquezas brasileiras e precisa ser preservada e valorizada.
Que muitas ações afirmativas de inclusão socioeconômica possam ocorrer nas mais diversas áreas da vida social, e que as escolas e universidades possam aderir a estas ações, participando ativamente na conscientização nacional para o respeito e a valorização dos afrobrasileiros.

